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A Chef


Nome: Mônica Porto

Idade: 26 anos

Residência: Rio de Janeiro

Especialidade: Cozinha Francesa

Formação: Gastronomia pela UNIRIO e Especialização por Le Cordon Bleu – Londres

Os meus primeiros contatos com a cozinha, que eu recordo, foram no quintal da minha casa em São Luiz – MA, com um conjunto branco e rosa de fogão, panelas de brinquedo e fazendo tutuzinho de feijão com a terra preta dos vasos de plantas da minha mãe, e couvinha com as samambaias choronas que ficavam penduradas – claro que Dona Cybelle (minha mãe) não achava isso nada divertido. Eu não brincava de “casinha”, eu brincava de “comidinha”, o que era muito diferente; lembro – me perfeitamente que, desde o início, eu sempre cozinhei com intenção. Sempre que começava a macerar as flores, misturar com terra e água, eu pensava que sensação aquela “comidinha” iria trazer a quem comesse; que ficariam felizes, com calor, curiosos com o que comiam… etc. Claro que ainda não tinha essa consciência, só me dei conta disso quando uma amiga perguntou “Qual a sua primeira lembrança cozinhando?”. Parei, comecei a lembrar dessas cenas, como um filme, e do sentimento que colocava na “brincadeira”; brincadeira essa que levava muito a sério.

Outra lembrança muito marcante é a de sempre observar a minha avó (Dona Beth ) cozinhando na sua casa de praia. *

*Só para esclarecer, Dona Beth é a maior cozinheira que esse mundo já teve! Uma pessoa capaz de fazer um ovo mexido e fazer arregalar os olhos de quem provasse,  falando espantado :“Nossa, que delícia!! O que você colocou aqui!?” E ela calmamente respondendo: “Nada… só manteiga, ovo e sal…”. Já me perguntaram “Em quem você se espelha para cozinhar? Qual chef famoso é seu ídolo?” A resposta é óbvia, “Sou devota da maior cozinheira de todos os tempos…minha avó.”

Voltando ao assunto, Dona Beth morava em uma casa antiga tipo fazenda; casa de madeira com enormes janelas. No quintal ela tinha uma horta com vários temperos, hortaliças, legumes e ainda muitos coqueiros, cajueiros, goiabeiras, mangueiras, pé de murici… Huuummm, era muito bom passar as férias lá! Eu sentava na janela e ficava encostada no batente e a observava fazendo o almoço, ficava conversando sobre varias coisas; mas eu sempre estava de olho no que ela fazia, como se memorizasse. A primeira comida de verdade que lembro ter preparado foi para ela; Dona Beth ficou com câncer e teve que operar, recordo que ficou muito fraca e um dia pedi para minha mãe me deixar fazer uma sopa para ela. Eu nunca tinha feita sopa antes, mas lembrava direitinho de como a minha avó fazia, e segui passo a passo. Lembro bem, que enquanto cozinhava eu ficava pensando qual sentimento gostaria que ela tivesse ao comer, e era de calma, alívio. Queria muito que ela se sentisse revigorada, que a cada colher as forças voltassem e o ânimo também; que o medo e as dores fossem embora, ao sentir o sabor da sopa. E eu realmente acreditava que aquela sopa ia ajudá-la a se curar rs. Bem, ela se curou…tem quase 90 anos e ainda mora em São Luiz, mas não na mesma casa…gosto de pensar que a sopa deu uma forcinha hehehe.

Com o tempo fui cozinhando em casa, para amigos, com a companhia da minha mãe, que sempre me dava muitos toques. Meus amigos perguntavam “Com o que quer trabalhar??” eu ficava sem saber o que falar e reforçavam “ Pensa em algo que você faz com prazer, que você não se cansa de estudar, de ler, que você faria por 30 anos e feliz…” e Lá no fundo vinha um sentimento e eu respondia “Cozinhar…”. Minha mãe falava “Cozinhar em casa é diferente de restaurante…” então, aos 16 eu comecei a trabalhar de graça em um restaurante de comida Mediterrânea, para saber se era isso mesmo que eu queria…foi chocante; aquela correria frenética do jantar, adrenalina dos pratos saindo, o calor infernal da chapa com as parrilladas de frutos do mar, o barulho das panelas batendo e o chef gritando comandando a cozinha, e cobrando os pratos de uma maneira tão delicada…chamando os cozinheiros de cambada. Saí de lá atônita com tudo que vi… fim de semana atendíamos mais de 1000 pessoas…eu amei!!! Saía de lá com dores infernais nas pernas e um cheiro de peixe que fazia os gatos do bairro me seguirem até em casa…mas saltitante e cantarolando. Fiquei lá por 1 ano e meio.

Fiz gastronomia na Uni-Rio, durante o curso, estagiei no hotel J.W.Marriott; Confeitaria Colombo e Hotel Caesar Park. Após terminar o curso, fui para Londres fazer minha especialização em gastronomia francesa no Le Cordon Bleu, onde fui assistente do Head Chef do curso.Trabalhei, ainda,  como sous-chef num gastropub. Londres foi um divisor de águas na minha vida rsrs Todos criticavam dizendo que a comida inglesa é horrível, então como eu ia fazer gastronomia lá?! Realmente, a comida inglesa é muito ruim para o meu paladar…tão ruim que você encontra restaurantes de todo o mundo lá. O que você tem vontade de comer?? Dim-Sum?? Em Chinatown tem ótimos restaurantes… Curry?? Em Chiswick tem um lugar chamado Bombay Bistrô que é de largar a família… Grego? Vietnamita? Iraniano? Jamaicano?? Até feijoada comi e fiz um bobó maravilhoso para os amigos de curso. Ai ai… deixei meu coração e parte do meu estômago em Londres hehehe

Estou de volta ao Brasil e, depois de trabalhar como chef em um restaurante em Ipanema, respiro fundo e começo a encarar o desafio de fazer algo meu, com a minha cara e por isso estou aqui…Pedindo licença ao grande Chef Bourdain, “em busca do prato perfeito”. Estou aqui para compartilhar meus jantares e criações, e conversar sobre técnicas e tendências…me divertir com algo que eu amo. Sempre cozinhando com as minhas “intenções”… de quando provarem a minha comida todos em volta sumam, tudo silencie e a única sensação que essa pessoa tenha dentro de si é… “Uau!”.

Bem – Vindos !




5 Comentários leave one →
  1. Andrew permalink
    29/07/2010 11:02 AM

    Hi Monica, I was told about your site and decided to pay a visit. We miss you in London! To be honest, we also miss your “Cassoulet”, which remains unforgettable and, of course, your terrines. I am told Cassoulet may be a French version of Brazilian “fejoada” (black beans), though I recall you using original French haricot beans, duck confit, Toulousse sausages and neck of lamb. It was great…

    Louis translated some of the stuff on your site to me, as my Portuguese is limited to not more than “Obrigado”.

    By the way, your site (or is it a blog?) looks good! One can almost taste the photos…

    Keep up the good work and enjoy Rio, as much as I hope Rio will enjoy your cuisine, like Europe did!

    Here toasting to your health and happiness, with a very British Gin&Tonic!
    Love, Andrew xxx

    • Fundindo a Cuca permalink*
      30/07/2010 9:37 AM

      Hi Andrew!

      It’s really good to see you here! Welcome!!
      Good times isn’t? I miss London, the cassoullet, but specially… i miss you guys so much! It was really fun spend time with you two.
      Hope to go there again and eat porkchops watching “Will & Grace” hehehe, and i hope to see you here in Rio!

      Thanks for de message and wish you all love and happiness!
      Eat all dim sum that you can for me !!!!!!!!!!!!

      Love, Monica xxx

  2. 30/07/2010 7:48 AM

    Alo Monica!

    Daqui de Londres vi teu site e achei muito bacana.

    Como disse o Andrew, as fotos sao excelentes, mas acho que ainda nao fazem justica ao sabor (soh mesmo provando!). Quero entrar nesse Beef Wellington (com ou sem foie gras).

    Fui no Jade Garden em Chinatown no domingo comer Dim-Sum com Singapore noodles, regado a Tiger beer e green-tea, e lembrei que era tudo o que voce gostava quando estava aqui. Foi delicioso como sempre (a Chinatown de Londres realmente bate de longe nas de N York ou S Francisco).

    Quanto a comida inglesa, concordo plenamente! Como a comida inglesa nao eh das melhores (excecao ao fish&chips do Seashell em Marylebone), a comida estrangeira se destaca, e os melhores restaurantes franceses, tailandeses, malasianos, vietnamitas, indianos, italianos, fusion etc se encontram em Londres, se bem que geralmente os turistas nao sabem onde ficam.

    O teu churrasco tambem continua firme (quando faz sol em Chiswick), com tempero fusion (soy sauce e oyster sauce, mais nada).

    Parabens pelo site e felicidades na carreira!

    Bjs, LO xxx

    • Fundindo a Cuca permalink*
      30/07/2010 9:49 AM

      Oi, LO!

      Muito gostoso tê-lo aqui!
      Gostou do Bife Wellington? Se quiser faço para você na próxima visita ao Rio… e , se for possível, o cassoulet também. Já encontrei todos os ingredientes, só falta a lingüiça de Toulouse; mas como não encontro, tentarei fazer por conta própria hehehe

      Muito obrigada por todo apoio que você deu e dá na minha carreira! Espero receber mais visitas suas!

      Beijos, Mônica xxx

  3. 03/08/2010 3:45 PM

    Eu lembro tão bem da casa de praia da sua avó… Foi lá que eu aprendi a quebrar caranguejo, habilidade hoje muito necessária em cada volta minha à São Luís.
    Que prazer ver o seu site, Mônica, muito sucesso! Beijo grande

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